segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Educadores iniciaram nessa segunda-feira greve de fome. Amanhã, trabalhadores/as em educação se reúnem com líder do Governo da ALMG e realizam Assembleia Estadual


Educadores/as se reúnem nessa terça-feira (20/9), a partir das 9h30, na Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais, com o deputado Luiz Humberto Carneiro (PSDB), líder do Governo na ALMG. O objetivo é discutir o cumprimento da lei 11.738, que regulamenta o Piso Salarial Profissional Nacional (PSPN), e a necessidade de reabertura de diálogo por parte do Governo. No mesmo dia a categoria, coordenada pelo Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG), promove Assembleia Estadual, a partir das 13 horas, no pátio da ALMG.

Intermediação – A última semana foi marcada por acontecimentos importantes. A categoria conseguiu viabilizar reuniões com o ministro da Educação, Fernando Haddad, e a presidenta Dilma Roussef.  As reuniões aconteceram respectivamente nos dias 14 e 16/9, a primeira em Brasília e a segunda na Base Aérea da Pampulha, em Belo Horizonte.
Nesses encontros, ambos se comprometeram a intermediar diálogo entre Governo do Estado e Sindicato para por fim a greve. Dilma Roussef e Fernando Haddad receberam do Sind-UTE/MG um dossiê que mostra a realidade da educação mineira. A coordenadora-geral do Sind-UTE/MG, Beatriz Cerqueira, disse que é fundamental que a União estabeleça uma política nacional do cumprimento do Piso Salarial. “Entendemos tratar-se de uma tarefa do governo nacional, pois diz respeito ao cumprimento de uma lei federal.”

Reivindicação – Os trabalhadores/as reivindicam o Piso Salarial, conforme estabelece a Lei Federal 11.738.  Minas Gerais paga hoje o Piso de R$ 369,00 que, de acordo com relatório da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), é o pior Piso dentre os 27 estados brasileiros.

Educadores iniciam greve de fome
Dois educadores da rede estadual de ensino e membros da diretoria estadual do Sindicato Único dos Trabalhadores/as em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG) deram início hoje (19/09), às 16h30, a uma greve de fome por tempo indeterminado. Os educadores, Abdon Geraldo Guimarães e Marilda de Abreu Araújo, estão alojados na Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais (ALMG), na porta do gabinete do 1º secretário da Mesa da ALMG, deputado Dilzon Melo e vão permanecer em greve de fome até que seja estabelecido um processo de negociação com o Governo do Estado, com vistas ao pagamento do Piso Salarial.  
     

domingo, 18 de setembro de 2011

Comovente o vídeo produzido por uma companheira de luta, com a bela música de Mercedes Sosa


Eu só peço a Deus
                Mercedes Sosa e Beth Carvalho
Eu só peço a Deus que a dor não me seja indiferente
Que a morte não me encontre um dia
Solitário sem ter feito o que eu queria
Eu só peço a Deus que a injustiça não me seja indiferente
Pois não posso dar a outra face
Se já fui machucado brutalmente
Eu só peço a Deus que a guerra não me seja indiferente
É um monstro grande e pisa forte
Toda a pobre inocência dessa gente
Eu só peço a Deus que a mentira não me seja indiferente
Se um só traidor tem mais poder que um povo
Que este povo não esqueça facilmente
Eu só peço a Deus que o futuro não me seja indiferente
Sem ter que fugir desenganado
Pra viver uma cultura diferente
Solo le pido a Diós que la guerra não me sea indiferente
Es um monstro grande y pisa fuerte
Toda la pobre inocencia de la gente

Você tem medo de quê?

Hoje estou um tanto quanto "filosófica". E ando pensando numa questão que atormenta muitas pessoas: o medo da morte. Apesar de ser a certeza da vida, a morte assusta por ser algo desconhecido, por ser a confirmação da nossa incapacidade humana diante de uma situação irreversível. No entanto, mais que o medo do incognoscível, percebo que há pessoas com medo da vida. Com medo de ousar. Com medo de si mesmas. Com temor exacerbado de tudo que possa romper com sua rotina monótona, exageradamente apegada às migalhas, sem força alguma para lutar. São criaturas frágeis, adeptas da filosofia do "antes pingar do que secar", bem típica de um modelo de governar que nos mantém controlados e submissos. 
Ainda há pouco, em conversa com uma amiga, também professora, falei-lhe das dificuldades de organização que nossa categoria tem, exatamente porque, mais do que da morte, andamos com medo da vida. Diante do primeiro obstáculo, sem querer transpô-lo e vislumbrar um novo horizonte, voltamos ao ponto de partida, ou ficamos estagnados, inertes, esperando que outros façam por nós aquilo que nós deveríamos fazer juntos. 
A frase "pensem bem o que vocês vão fazer, para depois não voltarem com o rabinho entre as pernas", dita por uma colega de profissão aos companheiros grevistas é, no mínimo, revoltante. Ninguém volta de uma greve "com o rabinho entre as pernas", mas com a certeza do dever cumprido. Ninguém volta de uma greve derrotado, mas pós-graduado em CIDADANIA e LUTA CONTRA A OPRESSÃO. Mas já adianto: este ainda não é o momento de voltarmos, embora as notícias na mídia paga queiram nos convencer do contrário. 
Ando me sentindo tão bem comigo mesma! Gostaria tanto de estar entre os companheiros acorrentados na Praça Sete, entre os que se reuniram na Praça da Liberdade e protestaram, mesmo diante da truculência da Polícia... Desde que nossa Escola aderiu à greve, não perco nenhuma assembleia em BH. De lá, trazemos informações que, muitas vezes, são filtradas pela imprensa "vendida". Àqueles companheiros que ficam, chega apenas a versão do Governo que, bem sabemos, é mentirosa, tendenciosa e hipócrita.
Tenho uma família que amo, uma profissão que escolhi e um desejo enorme de transformar o "status quo", ainda que tenha um preço a pagar.
Não, não tenho medo da vida. Meus companheiros de luta não têm medo da vida. E você, que vacila, fica aí parado, ou "torce" contra? Tem medo de quê?